Obrigado Mãe, por Me Ensinar a Ler!

 

Alfabetização

Aqui em casa temos o costume de acordar cedo e na maioria das vezes os meninos acordam antes do que eu e o Leandro. Tem dias em que eles vêm para o nosso quarto dar um beijo de bom dia, dias em que decidem ficar conversando nas suas camas e noutros arrumar a mesa do café. O que começou a chamar a minha atenção para a alfabetização foi ver, ao acordar, o Davi (meu filho mais velho) por diversas vezes sentado no sofá da sala, segurando minha bíblia de estudos e tentando decifrar o que estava escrito por lá.

Nunca fui a favor de acelerar o processo de alfabetização de uma criança. Meu filho havia recém completado 5 anos e eu tinha a ideia de que ele iria iniciar a ler e a escrever quando entrasse no ensino fundamental. Mas a insistência dele e as perguntas que me fazia diariamente me motivaram a pensar diferente.

Fui então me capacitar e ler sobre alfabetização. Descobri que existem várias formas de alfabetizar uma criança e me identifiquei com a alfabetização fônica. Não posso deixar de citar o blog do Professor Carlos Nadalim, que me ajudou muito, com diversos vídeos explicativos e dicas gratuitas para iniciar o processo de alfabetização, assim como o blog da Renata Santos e o da Camila Abadie.

Comecei de forma bem simples, a brincar com os sons das letras junto com os meus filhos (o caçula nunca quis ficar de fora), o que se chama de pré-alfabetização. Fazíamos isso no carro, quando estávamos tomando banho de piscina ou sentados na grama. Eventualmente eu preparava uns cartões com imagens (por exemplo: uma borboleta, uma bola e um carro) e brincávamos de descobrir qual figura não começava com o mesmo som da maioria. Não demorou muito e diversar vezes ao dia eles vinham e me relacionavam palavras que iniciavam com o mesmo som ou que rimavam. Ficamos por um bom tempo assim, investindo tempo em leitura e brincando com o som das palavras.

O processo de alfabetização mais formal com o Davi decolou em função dos subsequentes quadros de pneumonia do irmão caçula, que fez com que os dois se ausentassem por um longo período da escola e consequentemente tivessem mais tempo em casa ao meu lado. A essa altura o Davi estava perto dos 6 anos, e eu já havia comprado um livro de alfabetização fônica (Alfabetização: Método Fônico de Seabra e Capovilla) e começamos a colocá-lo em prática. Não sou o tipo de mãe que brinca de pega-pega, de esconde-esconde ou que joga bola com os filhos. Minhas brincadeiras são outras e uma delas passou a ser proporcionar atividades que unissem as explorações do dia a dia dos meninos com as descobertas do mundo das letras.

O progresso desde então tem sido diário e o irmão caçula também já está lendo suas primeiras palavras. Tem sido uma experiência muito rica poder participar desse momento tão especial na vida dos meus filhos. Nunca imaginei que iria fazer parte disso, pois pra mim ensino e aprendizagem sempre foram coisas exclusivas de um ambiente escolar e de forma automática eu já havia terceirizado todo o processo.

Que privilégio ter os sorrisos transbordantes do rosto de cada um deles, quando conseguiram ler pela primeira vez, guardados na minha memória, assim como o carinhoso abraço que recebi do Davi quando concluiu a leitura do seu primeiro livro e as sinceras palavras de agradecimento: “Obrigado mãe, por me ensinar a ler”.

Abraços,
Carol Piscke

A Tragédia do Buffet

Queremos compartilhar um episódio que aconteceu com a nossa família, na última viagem de férias:

Entramos no restaurante, pedimos um suco e nossos meninos ansiosos com toda a programação do hotel, queriam logo se servir. Nós deixamos que os dois fossem pra fila do buffet sozinhos, porque queriamos ficar na mesa, tranquilos, batendo um papo e degustando aquele suco. 
De longe, observamos os meninos. Eles não tinham altura suficiente e não enxergavam muito bem o que tinha dentro dos recipientes. Pegavam algumas coisas com a mão, até comiam e em alguns momentos pediam ajuda pra algum adulto ou de livre vontade muitas pessoas os ajudavam mesmo, mas a comunicação entre eles não era muito boa e percebíamos que algumas coisas que colocavam no prato dos nossos filhos não os agradava muito. 
Pois bem, depois da peregrinação ao redor do buffet, lá vieram eles. Sentaram na mesa e começaram a comer. Olhamos um pra cara do outro, angustiados por nossos filhos, pois era nítido que não iriam dar conta de comer toda aquela comida, além do mais, eram combinações estranhas. Nós dois percebemos que fizemos errado e que da próxima vez iríamos acompanhá-los no buffet. Até deu vontade de dar aquele discurso: “foram vocês que escolheram, então agora comam tudinho”; mas a culpa não era dos nossos filhos, nós que cometemos o erro. Em troca de um pouco de “descanso”, delegamos pros nossos filhos uma tarefa para a qual ainda não estavam preparados para enfrentar.

A próxima refeição foi desfrutada com muito mais alegria e sabor. Fomos juntos com os meninos ao buffet e como pais, é claro que deixamos nossos filhos fazerem algumas escolhas, mas ao mesmo tempo os ajudamos, apresentando alimentos bons, que combinassem entre si e preparos que fossem do agrado deles e também explicando as dúvidas e dosando as quantidades. Nós comemos diariamente juntos nas refeições, nós nos conhecemos.    

Temos dois meninos, de 4 e 5 anos e desde que nasceram até agora, diariamente transborda deles um pedido: “pai e mãe, nos mostrem o caminho!”. São sentimentos que precisam ser controlados, são atitudes que necessitam de correção, são dúvidas que precisam ser sanadas, são direções que precisam ser dadas, é o amor e respeito pelo próximo que precisa ser ensinado a partir de limites estabelecidos. E não é fácil. É um trabalho cansativo.
Nossos filhos nos foram dados para serem cuidados, ensinados e orientados. Não dá pra sentar e tomar suco, assistir e consentir com o que os outros estão colocando no prato deles e deixá-los fazerem suas próprias escolhas. 
É exatamente isso que estão tentando nos empurrar goela abaixo, com cara de liberdade, paz, inteligência e amor, quando orientam os pais a destruirem esteriótipos masculinos e femininos, a fazerem de conta que não existem diferenças entre homens e mulheres, que o sexo é uma construção social de cada indivíduo, a deixarem com que seus filhos experimentem o mundo ao seu redor até se lambuzarem e se fartarem, com a promessa de que isso resultará em um mundo melhor, com pessoas sem traumas, sem preconceitos, mais felizes e que recebem salários justos.

Este assunto não tem outro objetivo, a não ser causar confusão e distração na vida das pessoas, afinal é um tema que vende. Como seria bom se o problema da humanidade fosse resolvido com uma simples atitude dessas: deixar com que as crianças vivenciem um mundo sem barreiras entre o masculino e o feminino. Como se fosse esta a causa e a solução para bloqueio de todo ódio, inveja, egoísmo, orgulho, ciúmes, enfim todos os sentimentos ruins que existem dentro de qualquer ser humano, em qualquer lugar do planeta.

Que não sejamos hipócritas nos importando com o exterior, mas que conheçamos o coração dos nossos filhos, porque qualquer intenção baseada na aparência é julgamento. Que sejamos exemplos pra eles de respeito e amor ao próximo.  Que possamos dia a dia exalar os frutos do Espírito, que são amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Que Deus nos abençoe, nos dê força e sabedoria pra continuarmos executando nossos papéis de pais. 

No amor de Cristo, que é o ÚNICO caminho,
Carol Piscke

“Meus irmãos, vocês que creem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas. Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem-vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas. Digamos que vocês tratam melhor o que está bem-vestido e dizem: “Este é o melhor lugar; sente-se aqui”, mas dizem ao pobre: “Fique de pé” ou “Sente-se aí no chão, perto dos meus pés.” Nesse caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros.” Tiago 2:1-4

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Por isso, pela graça que me foi dada digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu. Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria. O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom. Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês. Nunca falte a vocês o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor. Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade. Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem-nos, não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos. Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. Ao contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.” Romanos 12:2-21

Mãe, Não Perca a Esperança!

Esse filhote de quero-quero, estava muito mal ontem, nem conseguia andar. Meus filhos estavam muito tristes, porque dos 4 pintinhos que nasceram na última ninhada, 2 já haviam morrido e esse era o terceiro que estava condenado. Essas aves fazem parte da nossa família, moram no nosso quintal e acompanhamos o dia dia delas. Confesso que eu mesma endossei a opinião de alguns vizinhos: “olha ele não vai sobreviver”! Bem diferente era ver a reação da mãe, que protegia o filhote e em alguns momentos até sentava sobre ele. E também os meus filhos, que não perdiam a esperança. Na hora do jantar, no momento em que meu marido estava finalizando a oração, dizendo “amém”, os meninos interromperam e pediram: “Senhor, cuida do pintinho, que ele fique bom e amanhã esteja melhor”!
Há mais ou menos 15 anos atrás, meu irmão mais velho estava muito doente. Estava dominado pelo vício das drogas. Minha mãe, desesperada, procurava ajudá-lo, mais ao certo não sabia como. Um dia foi até um centro espiritual e de lá voltou inconformada, pois disseram pra ela que meu irmão iria permanecer daquela forma mesmo, que era o que estava predito pra vida dele. Lembro de ela falar comigo, de não aceitar aquela sentença, e de não perder a esperança. Por um motivo desconhecido, meus pais que trabalham com produtos alimentícios, começaram a fazer doações para uma casa de recuperação de dependentes químicos. Numa noite, o telefone lá de casa toca, era meu irmão, pedindo ajuda, dizendo que precisava ser colocado em algum lugar seguro, ser internado, porque não aguentava mais aquela condição. Minha mãe logo lembrou da instituição que ajudava e no dia seguinte meu irmão estava sendo encaminhado para lá, o CERENE, lugar que promoveu o início da transformação da vida do meu irmão e de toda a nossa família. Esse foi o meio pelo qual Jesus nos mostrou que é possível sim nascer de novo, recomeçar a vida.

Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. João 3:17 NVI

Mães, não percam a esperança!
Em Cristo, o único caminho para a vida!💙
Carol

Uma História por Dia

A coleção “Uma História por Dia”, da Editora Abril (1980) fez parte da minha infância. São quatro livros, um para cada estação do ano, com lindos desenhos da Disney. As histórias são curtas, ideais para quando não tenho muito tempo ou quando estou muito cansada…sabe, aquele pedido clássico: Mãe, lê uma história?; bem no final do dia ou antes de uma soneca? Então, são uma ótima opção! Estes exemplares tomei emprestado da casa da minha mãe, vai que tem um livro desses dando sopa em alguma estante ou baú da tua família também?
Boa Garimpagem!
Carol
Disney Editora Abril

Confissões de Mãe

Confissões de Mãe
Quando não tinha filhos ainda, eu julgava demais algumas crianças e principalmente seus pais e mães. Era um tipo de trabalho mental que eu fazia. Eu olhava uma situação e mentalmente culpava os pais ou a falta deles por algum comportamento que eu julgava inadequado. Eu tinha a certeza de que com determinação e esforço eu conseguiria fazer bem diferente quando chegasse a minha vez. E adivinha só o que aconteceu? Tchan, tchan, tchan tchaaaan! Depois que tive meus filhos e que eles começaram a ter a oportunidade de expressar suas próprias vontades, meu fardo de mãe exemplar começou a ficar muito pesado. Da mesma forma que eu culpava aqueles pais, comecei a me culpar e a acumular os comportamentos errados dos meus filhos como críticas pesadas a minha “carreira de mãe bem sucedida”. 
Sempre tive a oportunidade de enxergar as recompensas do meu trabalho de formas bem claras, como na conclusão de um projeto, na remuneração mensal ou num simples elogio. Confesso que da mesma forma eu estava tentando reproduzir isso como mãe, mas meus filhos não podem ser encarados como um trabalho, um projeto de vida profissional. Eu precisava urgentemente me libertar dessa carga que eu mesma havia colocado sobre a minha vida e consequentemente sobre a vida dos meus filhos, que estavam presos a corresponderem às minhas expectativas. 
Essa crise que acabei de descrever, aconteceu há algum tempo. Muitas situações mexeram comigo e comecei a sentir tanto desconforto que precisava de ajuda pra me livrar dessa batalha que eu estava travando comigo mesma.  
E num mundo cheio de informação, eu realmente encontro paz nas palavras daquele que veio há dois mil anos. Ela me corta, me quebra, me questiona, separa a minha carne do meu espírito. E foi lendo o livro da vida que encontrei o antídoto para o meu próprio veneno, nas palavras de Jesus, quando ele falou a respeito do mecanismo de funcionamento do ato de julgar:  

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.” (Mateus 7:1-2).

Essas palavras começaram a borbulhar na minha cabeça e entraram totalmente em choque com a missão de “mãe de sucesso” que eu havia imposto a mim mesma. Era como se eu tivesse armado e caído em minha própria armadilha.
Escrever sobre isso é muito complicado porque foi um longo processo, mas resumindo as longas sessões de terapia com meu marido (meu maior amigo e ouvido), sinto-me hoje mais livre, entendendo e aceitando a personalidade dos meninos e amando-os do jeito que são, respeitando os limites de cada um, não sendo hipócrita ao esperar comportamentos de aparência dos meus filhos, pois muitas coisas não sairão da forma como espero, não acontecerão na hora que quero e nada disso é proporcional ao meu amor e dedicação por eles. 
Afinal, o que devo esperar dos meus filhos? O incrível da palavra de Deus é que ela não joga um balde de água fria e desanima. Ela direciona e dá esperança. Faz com que eu retorne ao que de fato é importante e merece toda atenção e dedicação: que Cristo seja formado na vida de cada um dos meus filhos. E por esse objetivo vale todo o esforço, de braço e de fé. E também não acontece no exterior, mas sim no coração.
Luz para os meus pés são essas palavras:

“Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós.” (Galatas 4.19).
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” (Hebreus 11.1).
“Mas o Senhor disse: — Não se impressione com a aparência nem com a altura deste homem. Eu o rejeitei porque não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para a aparência, mas eu vejo o coração.” (1 Samuel 16.7).

Glórias ao Senhor!
Abraços,
Carol.

Vício Digital

vício por internet
Quando completei 24 anos percebi que já havia se passado dez anos que eu tinha acendido meu primeiro cigarro, numa brincadeira entre amigas, por simples curiosidade. Aos 19 anos mais ou menos, o cigarro era um vício e parte do meu dia a dia. Eu sabia que era algo que não me fazia bem e que também era o responsável por minhas crises agudas de gastrite, mas mesmo assim eu não conseguia imaginar minha vida sem o cigarro. Era um prazer sair dirigindo sem destino, só pra fumar um cigarro e ficar pensando na vida, ou então junto com um cafezinho, depois das refeições, no bar com os amigos, enfim, sempre que eu tivesse uma oportunidade, fumar um cigarro era a primeira coisa que me passava pela cabeça.
Acontece que eu também não esquecia das palavras de preocupação da minha mãe e concordava com elas: “eu não entendo que você possa viver com esse hábito, sendo que hoje em dia somos cercados de informações sobre os malefícios que o cigarro promove”; dizia ela frequentemente. Eu até já havia tentado parar de fumar por diversas vezes, mas eu ficava tão ansiosa que acabava fumando até mais. 
E como Deus usa as coisas loucas desse mundo, exatamente nessa época meu irmão havia recém descoberto o evangelho e vivendo um momento de abstinência após dez anos consecutivos de uso exagerado de drogas. Lembro de um dia estarmos sentados na mesa, lá na casa dos nossos pais, tomando café quando meu irmão me disse: “Carol, não há nada que eu possa te falar pra te convencer, porque tu vais crer de fato que existe um Deus que pode te ajudar quando Ele se revelar pra ti. O que tu podes fazer é pedir pra que isso aconteça. Pede pra Deus, ele vai te ouvir. Ele me ouviu e hoje me sinto amado e conectado a Ele”. Naquela mesma noite, ao deitar, fiquei pensando no que meu irmão havia dito e em silêncio, tive uma breve conversa com Deus: “Deus, eu não quero mais fumar, isto está me fazendo mal e preciso de uma ajuda pra parar, tentei algumas vezes mas não consigo persistir”. Falei só isso e fui dormir. No dia seguinte acordei e fiz tudo normal como sempre e certamente, fui acender meu cigarro matinal. Ao invés de ser algo prazeroso, senti um gosto ruim na boca. Lembrei do meu pedido pra Deus e fiquei muito impactada, porque eu não ia conseguir mesmo fumar aquele cigarro, tanto que apaguei e joguei fora. Estranho, isso não era nada comum, eu estava sentindo repulsa só com o cheiro. A constatação final veio quinze dias depois, quando eu estava com uns amigos num barzinho e um deles acendeu um cigarro e foi logo me passando a carteira e o isqueiro. Eu não consegui negar a gentileza e o acompanhei. Fiquei com aquele cigarro mais na mão do que na boca, enquanto ia pensando que aquilo definitivamente não fazia mais parte da minha vida. Hoje tenho 34 anos e entendo que a forma como abandonei o vício pelo cigarro foi uma das situações que Deus colocou no meu caminho pra que eu pudesse parar e perceber que existem muitas coisas além das que eu consigo ver, tocar, sentir ou imaginar. Que existe um Deus que criou um mundo com tantos outros sabores, muito mais gostosos pra experimentar. 
Esse episódio da minha vida me voltou a memória nos últimos meses, quando estava passando por uma crise de stress. Numa bela tarde estava em casa com os meus filhos, eles assistindo tv e eu com meu celular na mão, vendo nada de importante, só deslizando o dedo na tela em busca de qualquer coisa. Meu filho de 3 anos chegou perto de mim e disse: “mãe, lá na escola tem uns blocos bem grandes, amanhã eu vou fazer uma casinha pra nós e daí mãe eu vou fazer um lugar pra você colocar o seu celular também, tá bom?”. Fiquei muito constrangida e envergonhada pela imagem que meu filho tinha de mim, ou melhor ele não via a mim e sim a mim e meu celular. Depois dessa mensagem do alto que meu filho me entregou, com o passar dos dias, diagnostiquei a causa ou o que estava por agravar o estresse e ansiedade: meu celular. Ele estava sendo utilizado em excesso, como meus antigos cigarros, presentes em qualquer intervalo. Era algo automático, se tivesse um momento livre eu logo pegava o celular e ficava ocupando a mente com notícias (normalmente ruins), bombardeios de imagens, mensagens de grupos de whatsaap, enfim era sempre o momento pra eu me “atualizar” na rede. O triste era que isso se repetia por várias vezes, sendo que em alguns momentos até me vinha uma angústia pela necessidade de novamente checar o celular, como se eu estivesse desatualizada, perdendo algo. Além da ansiedade que estava sendo gerada, percebi meu celular como um buraco negro na palma da minha mão, capaz de me levar pra outro lugar a qualquer momento e de não prestar atenção nas coisas fisicamente ao meu redor. Era como aqueles momentos que eu vivia diariamente na época de fumante, quando eu precisava ir pra bem longe de todo mundo pra não atrapalhar ninguém com a fumaça. 
Comportamentos de vícios por internet estão sendo estudados e discutidos atualmente, mas não posso ficar esperando as pesquisas me dizerem o quão mal isso possa ser pra tomar uma decisão. Percebo que o celular tem ocupado a minha mente de uma forma que não a deixa descansar e consequentemente acaba com aqueles momentos de ociosidade, nos quais a gente se permite simplesmente pensar na vida, ser criativo, falar com Deus. Estou me sentindo uma cobaia e sofrendo consequências desagradáveis no meu dia a dia e ensinando comportamentos inadequados pros meus filhos. Preciso fazer alguma coisa, preciso de sabedoria. E é em Deus que mais uma vez estou encontrando socorro, com sua palavra que diz pra que eu ilumine o meu corpo com coisas boas e pare de ficar com os olhos vagando pela rede, “mantendo minha cabeça junto do meu corpo”:

 “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas, se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”; (Mateus 6:22-23).

“O homem de discernimento mantém a sabedoria em vista, mas os olhos do tolo vagueiam até os confins da terra”; (Provérbios 17:24).

Faz 4 meses que iniciamos mudanças na nossa rotina aqui em casa e quero compartilhar com vocês que nossa família ainda não descobriu a fórmula e que nem almejamos tal coisa, mas a primeira conclusão a que chegamos é que existem muitas coisas que ficam de lado quando a tv e a internet tomam conta da casa e quando aquela cena em que as crianças estão entretidas na tv e os pais dando continuidade aos seus afazeres ou até mesmo sentados do lado dos filhos mas viajando na rede, como se nem estivessem presentes, se torna comum e confortável. Estamos tentando encontrar o caminho, pedindo pra Deus criatividade, simplicidade e direção. A primeira coisa que estamos experimentando é o gosto pela leitura. Num próximo momento pretendo detalhar esse período de mudanças aqui no blog. Quero ainda deixar nesse post algumas palestras que assistimos e que despertaram várias coisas importantes pra nossa família:
Palestra muito divertida do Professor Pierluigi Piazzi sobre o comportamento dos pais e estudantes e da importância de desenvolvermos o hábito da leitura. Ele nos incentiva dizendo ” não desista, existe um livro pra você”:

Palestra da mãe e homeschooler Camila Abadie, com muitas dicas sobre literatura infantil:

Esse vídeo não tem legendas em português infelizmente. É um pai que se percebeu como um zumbi digital e conta as mudanças que fez para sair dessa situação e consequentemente melhorar a interação com seu filho:

E claro, eu não poderia deixar de citar as palavras pelas quais Deus tem nos direcionado:

“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.”; (2 Coríntios 4:16-18).

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por isso não temeremos, ainda que a terra trema e os montes afundem no coração do mar, ainda que estrondem as suas águas turbulentas e os montes sejam sacudidos pela sua fúria. Há um rio cujos canais alegram a cidade de Deus, o Santo Lugar onde habita o Altíssimo. Deus nela está! Não será abalada! Deus vem em seu auxílio desde o romper da manhã.”; (Salmo 46:1-5).

Até Mais!
Abraços,
Carol Piscke

Um Parto Anormal – Relatos de uma Mãe

Antes de falar sobre meu parto “anormal”, preciso contar como foi meu parto “normal”:

Durante minha primeira gestação, me preparei pra ter um parto natural. Depois de um curso de gestantes, decidi que não iria me submeter a uma cesárea de jeito nenhum. Mostraram imagens da cirurgia durante o curso, com o intuito de aterrorizar as mães mesmo, e comigo funcionou. Eu fazia então hidroginástica, Pilates de preparação para o parto, me alimentava bem e estudava sobre parto natural, essas coisas que só quem está grávida entende. Eu ansiava por sentir minha primeira contração, aquilo já tinha virado uma certa obsessão na minha mente. Eu idealizava um parto tão natural, eu estava tão confiante, que me via como uma índia parideira, um certo orgulho pela minha descendência indígena me vinha a mente acho.

Numa noite, jantando na casa de amigos, senti sair um pouco de líquido. Fiquei quietinha, não contei pra ninguém, afinal ainda era muito cedo, eu estava de 36 semanas. De repente, senti de novo sair mais um pouco de líquido, fui ao banheiro, não era xixi, era um líquido rosa bem clarinho. Falei pro meu marido: “Amor, acho que minha bolsa estourou”. Liguei pra fisioterapeuta, com quem eu fazia Pilates, e ela me disse pra irmos para o hospital, para avaliar. Fui em casa, peguei, ou melhor, fiz a mala da maternidade e seguimos para o hospital. Era umas dez horas da noite de uma sexta-feira. Fui internada, como normalmente é feito no caso de bolsa rota.

Minha médica estava viajando (aquilo que toda gestante torce pra não acontecer), então conversei com o obstetra de plantão e sinalizei que eu queria uma parto normal. Fui encaminhada com meu marido para uma sala de pré-parto e lá ficamos. Começaram as contrações, bem de leve. Tão de leve que eu nem tinha certeza se elas eram reais ou força da minha imaginação. Deitei na maca, meu marido se esticou numa cadeira e dormimos. Durante a noite, enquanto as enfermeiras vinham me examinar, eu acordava, mas nada de trabalho de parto.
E foi só isso. De manha o médico veio, disse que não poderíamos mais esperar e que precisaria ser feita uma cesárea. Eu fiquei muito frustrada e pior, desesperada por dentro, porque eu não não tinha me preparado para a cirurgia que eu ia fazer em menos de 30 minutos. Toda aquela minha expectativa do parto foi por água abaixo e com tristeza fui pro centro cirúrgico. “Sorria meu amor, hoje é o dia do nascimento do Davi!”-dizia meu marido. Minutos depois nosso filho estava nascendo e foi muito emocionante ouvir o choro dele e ver o rosto dele pela primeira vez.
A recuperação foi bem dolorida no primeiro dia e levantar pra fazer xixi era uma dificuldade, eu parecia uma velhinha indo até o banheiro, toda encurvada. No segundo dia eu já estava bem melhor e saímos do hospital felizes: eu, meu marido e nosso primogênito. Um ano e meio depois, quando meu segundo filho nasceu, considerei esse meu primeiro parto como sendo bem “normal”.
Meu segundo parto foi realizado às pressas, com 32 semanas de gestação. Fui numa consulta de rotina na obstetra e ela pediu pra que eu fosse até o hospital pra fazer uns exames, pois era necessário ouvir melhor o coração do bebê. Achei aquilo normal e fui até o hospital. Durante um exame de ultrassom a médica me disse: “mamãe, temos que tirar esse bebê daí porque ele está em sofrimento”. Engoli seco, tentei ligar pra meu marido mas eu só chorava. Passei o telefone pra enfermeira, troquei de roupa e já na maca assinei papeis sem nem saber do que se tratavam. Antes mesmo do meu marido pensar em chegar, nosso filho já tinha nascido e estava na UTI.
Quando fui encaminhada para o quarto, pude finalmente ver meu marido e ele com uma cara triste me disse: “Amor, fui até a UTI e o médico disse que é muito difícil que o Jônatas sobreviva”. Eu ainda estava anestesiada acho, em choque por todo o estresse que tinha passado. Lembro de ir dormir sem entender direito o que estava acontecendo comigo. Quando pude ver meu filho na UTI, a dor começou a intensificar e pude enxergar a gravidade da situação. Eu nem conseguia ver o rostinho do meu filho direito, por causa do tubo que estava em sua boca. Eu só chorava e preferia nem ficar ao lado dele.
No terceiro dia, recebi alta e fomos pra casa, eu e meu marido, sem nosso filho nos braços, o que é a coisa mais anormal pra uma mãe que estava grávida. Ainda tivemos a notícia de que os médicos estavam estudando a possibilidade de colocar um marca-passo no nosso filho, para normalizar os batimentos do coração. Arrasados com o que estava acontecendo, na ida pra casa me veio a lembrança um sonho que uma amiga tinha me relatado meses antes. No sonho, eu e ela estávamos andando de carro com nossos filhos e ela me dizia: “Olha só Carol pro Jônatas, nem parece que passou por três cirurgias cardíacas, está tão bem”. Lembrar daquele sonho foi como sentir um abraço de Deus, um consolo que nos dizia que não ia ser fácil, mas que tudo ia ficar bem. “Cirurgia cardíaca” era muita coincidência com o que estávamos passando, era como se Deus estivesse do nosso lado, nos avisando e nos mostrando o que de fato estava por vir, mas que não era pra desanimarmos.
Os dias não foram fáceis, aliás 4 meses entre idas e vindas ao hospital, internações na UTI e de forma precisa, como no sonho, 3 cirurgias. Nós não acreditávamos e nem queríamos que tivesse havido a segunda cirurgia, mas quando veio a terceira tivemos a certeza, está acabando! E assim aconteceu, como no sonho, nosso filho passou por 3 cirurgias (a primeira cardíaca para colocação do marca-passo e as seguintes foram correções de problemas causados pela primeira cirurgia). Nosso filho ficou entre a vida e a morte diversas vezes. E nós numa tristeza e cansaço.
Hoje, assim como predito naquele sonho, nosso filho está ótimo! Quando penso e lembro dessa história, a única coisa que consigo concluir é que Deus tem os seus planos, que Ele é misericordioso e muito amoroso.
Não consigo compreender os caminhos de Deus, mas pra minha vida esse acontecimento trouxe muitos ensinamentos. Eu era uma mãe super protetora e não costumava pedir ajuda pra ninguém com relação aos cuidados do meu filho. Quando o segundo nasceu, eu fui obrigada a quebrar esse orgulho e pedir ajuda. Passei dias no hospital e como era bom saber que eu tinha pessoas com quem eu podia contar em minha casa, familiares e amigos.
Percebi o que de fato é uma situação de risco para uma criança e o que é passar por algo traumático. Descobri que criança é forte e que não existe mal algum em engatinhar no chão sujo, comer terra, ser picado por mosquitos ou chorar sem ser atendido no mesmo instante.
Que um hospital é uma empresa, que a área de pediatria dá muito trabalho e que não é lucrativa, sendo assim, não recebe investimentos nem dos hospitais e nem gera interesse dos acadêmicos de medicina e baste que você passe por uma situação dessas para chegar a mesma conclusão. Também que os médicos são pessoas normais, que também cometem erros, que não sabem de tudo e que mesmo fazendo de tudo para salvar vidas, não possuem tal poder, o qual pertence somente ao Senhor.
Descobri que minha cama é a melhor do mundo e que a minha casa, com todos os seus defeitos, é o lugar mais acolhedor e aconchegante pra toda a minha família, aliás minha casa, assim como tudo o que possuo, passou a ser de ótimo tamanho pra mim.
Compreendi um pouco o que é se sentir agradecida e feliz em meio ao sofrimento, vendo pessoas passar por situações muito piores do que as minhas e muitas mães perdendo seus filhos.

Que Deus afofa a cama dos doentes. Eram sobrenaturais os sorrisos do meu filho e a forma como ele se sentia confortável com a minha presença. Um dia, antes de ir para uma cirurgia, meu filho não podia mamar, tinha que ficar em jejum. Um bebê de 3 meses, quase 20 horas sem mamar. Ele acordava chorando exatamente nos horários da mamada, então eu o pegava no colo, dava uma chupeta pra ele e o embalava enquanto cantava sempre a mesma canção, que embalou todo esse momento que passamos. Ele se acalmava, relaxava e dormia, como se estivesse satisfeito, mamado um montão. A canção era mais ou menos assim:

O Senhor, é o meu Pastor e nada irá me faltar, ele é quem renova o meu vigor, em justos caminhos me faz andar, mesmo que eu tenha que um dia enfrentar, problemas e lutas e possa sofrer, se o inimigo quiser me abalar, com suas mentiras tentar me prender, não vou temer, vou confiar, o Senhor virá me salvar!” Essa aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VamiR3_rcRc&index=8&list=PLiZjOtulp-SvRtEJeZss42MmERo-qV0l

 

Tenho a certeza de que Ele nos Salvou e que ele sempre nos Salva, independente do que estamos vendo!
Essa foto, eu bati na manhã antes dele entrar pra terceira cirurgia. Ele estava há aproximadamente 20 horas sem comer. Como pode esse sorriso? Só o amor de Deus explica!
Deus abençoe 🙂
Carol Piscke