Obrigado Mãe, por Me Ensinar a Ler!

 

Alfabetização

Aqui em casa temos o costume de acordar cedo e na maioria das vezes os meninos acordam antes do que eu e o Leandro. Tem dias em que eles vêm para o nosso quarto dar um beijo de bom dia, dias em que decidem ficar conversando nas suas camas e noutros arrumar a mesa do café. O que começou a chamar a minha atenção para a alfabetização foi ver, ao acordar, o Davi (meu filho mais velho) por diversas vezes sentado no sofá da sala, segurando minha bíblia de estudos e tentando decifrar o que estava escrito por lá.

Nunca fui a favor de acelerar o processo de alfabetização de uma criança. Meu filho havia recém completado 5 anos e eu tinha a ideia de que ele iria iniciar a ler e a escrever quando entrasse no ensino fundamental. Mas a insistência dele e as perguntas que me fazia diariamente me motivaram a pensar diferente.

Fui então me capacitar e ler sobre alfabetização. Descobri que existem várias formas de alfabetizar uma criança e me identifiquei com a alfabetização fônica. Não posso deixar de citar o blog do Professor Carlos Nadalim, que me ajudou muito, com diversos vídeos explicativos e dicas gratuitas para iniciar o processo de alfabetização, assim como o blog da Renata Santos e o da Camila Abadie.

Comecei de forma bem simples, a brincar com os sons das letras junto com os meus filhos (o caçula nunca quis ficar de fora), o que se chama de pré-alfabetização. Fazíamos isso no carro, quando estávamos tomando banho de piscina ou sentados na grama. Eventualmente eu preparava uns cartões com imagens (por exemplo: uma borboleta, uma bola e um carro) e brincávamos de descobrir qual figura não começava com o mesmo som da maioria. Não demorou muito e diversar vezes ao dia eles vinham e me relacionavam palavras que iniciavam com o mesmo som ou que rimavam. Ficamos por um bom tempo assim, investindo tempo em leitura e brincando com o som das palavras.

O processo de alfabetização mais formal com o Davi decolou em função dos subsequentes quadros de pneumonia do irmão caçula, que fez com que os dois se ausentassem por um longo período da escola e consequentemente tivessem mais tempo em casa ao meu lado. A essa altura o Davi estava perto dos 6 anos, e eu já havia comprado um livro de alfabetização fônica (Alfabetização: Método Fônico de Seabra e Capovilla) e começamos a colocá-lo em prática. Não sou o tipo de mãe que brinca de pega-pega, de esconde-esconde ou que joga bola com os filhos. Minhas brincadeiras são outras e uma delas passou a ser proporcionar atividades que unissem as explorações do dia a dia dos meninos com as descobertas do mundo das letras.

O progresso desde então tem sido diário e o irmão caçula também já está lendo suas primeiras palavras. Tem sido uma experiência muito rica poder participar desse momento tão especial na vida dos meus filhos. Nunca imaginei que iria fazer parte disso, pois pra mim ensino e aprendizagem sempre foram coisas exclusivas de um ambiente escolar e de forma automática eu já havia terceirizado todo o processo.

Que privilégio ter os sorrisos transbordantes do rosto de cada um deles, quando conseguiram ler pela primeira vez, guardados na minha memória, assim como o carinhoso abraço que recebi do Davi quando concluiu a leitura do seu primeiro livro e as sinceras palavras de agradecimento: “Obrigado mãe, por me ensinar a ler”.

Abraços,
Carol Piscke