Vício Digital

vício por internet
Quando completei 24 anos percebi que já havia se passado dez anos que eu tinha acendido meu primeiro cigarro, numa brincadeira entre amigas, por simples curiosidade. Aos 19 anos mais ou menos, o cigarro era um vício e parte do meu dia a dia. Eu sabia que era algo que não me fazia bem e que também era o responsável por minhas crises agudas de gastrite, mas mesmo assim eu não conseguia imaginar minha vida sem o cigarro. Era um prazer sair dirigindo sem destino, só pra fumar um cigarro e ficar pensando na vida, ou então junto com um cafezinho, depois das refeições, no bar com os amigos, enfim, sempre que eu tivesse uma oportunidade, fumar um cigarro era a primeira coisa que me passava pela cabeça.
Acontece que eu também não esquecia das palavras de preocupação da minha mãe e concordava com elas: “eu não entendo que você possa viver com esse hábito, sendo que hoje em dia somos cercados de informações sobre os malefícios que o cigarro promove”; dizia ela frequentemente. Eu até já havia tentado parar de fumar por diversas vezes, mas eu ficava tão ansiosa que acabava fumando até mais. 
E como Deus usa as coisas loucas desse mundo, exatamente nessa época meu irmão havia recém descoberto o evangelho e vivendo um momento de abstinência após dez anos consecutivos de uso exagerado de drogas. Lembro de um dia estarmos sentados na mesa, lá na casa dos nossos pais, tomando café quando meu irmão me disse: “Carol, não há nada que eu possa te falar pra te convencer, porque tu vais crer de fato que existe um Deus que pode te ajudar quando Ele se revelar pra ti. O que tu podes fazer é pedir pra que isso aconteça. Pede pra Deus, ele vai te ouvir. Ele me ouviu e hoje me sinto amado e conectado a Ele”. Naquela mesma noite, ao deitar, fiquei pensando no que meu irmão havia dito e em silêncio, tive uma breve conversa com Deus: “Deus, eu não quero mais fumar, isto está me fazendo mal e preciso de uma ajuda pra parar, tentei algumas vezes mas não consigo persistir”. Falei só isso e fui dormir. No dia seguinte acordei e fiz tudo normal como sempre e certamente, fui acender meu cigarro matinal. Ao invés de ser algo prazeroso, senti um gosto ruim na boca. Lembrei do meu pedido pra Deus e fiquei muito impactada, porque eu não ia conseguir mesmo fumar aquele cigarro, tanto que apaguei e joguei fora. Estranho, isso não era nada comum, eu estava sentindo repulsa só com o cheiro. A constatação final veio quinze dias depois, quando eu estava com uns amigos num barzinho e um deles acendeu um cigarro e foi logo me passando a carteira e o isqueiro. Eu não consegui negar a gentileza e o acompanhei. Fiquei com aquele cigarro mais na mão do que na boca, enquanto ia pensando que aquilo definitivamente não fazia mais parte da minha vida. Hoje tenho 34 anos e entendo que a forma como abandonei o vício pelo cigarro foi uma das situações que Deus colocou no meu caminho pra que eu pudesse parar e perceber que existem muitas coisas além das que eu consigo ver, tocar, sentir ou imaginar. Que existe um Deus que criou um mundo com tantos outros sabores, muito mais gostosos pra experimentar. 
Esse episódio da minha vida me voltou a memória nos últimos meses, quando estava passando por uma crise de stress. Numa bela tarde estava em casa com os meus filhos, eles assistindo tv e eu com meu celular na mão, vendo nada de importante, só deslizando o dedo na tela em busca de qualquer coisa. Meu filho de 3 anos chegou perto de mim e disse: “mãe, lá na escola tem uns blocos bem grandes, amanhã eu vou fazer uma casinha pra nós e daí mãe eu vou fazer um lugar pra você colocar o seu celular também, tá bom?”. Fiquei muito constrangida e envergonhada pela imagem que meu filho tinha de mim, ou melhor ele não via a mim e sim a mim e meu celular. Depois dessa mensagem do alto que meu filho me entregou, com o passar dos dias, diagnostiquei a causa ou o que estava por agravar o estresse e ansiedade: meu celular. Ele estava sendo utilizado em excesso, como meus antigos cigarros, presentes em qualquer intervalo. Era algo automático, se tivesse um momento livre eu logo pegava o celular e ficava ocupando a mente com notícias (normalmente ruins), bombardeios de imagens, mensagens de grupos de whatsaap, enfim era sempre o momento pra eu me “atualizar” na rede. O triste era que isso se repetia por várias vezes, sendo que em alguns momentos até me vinha uma angústia pela necessidade de novamente checar o celular, como se eu estivesse desatualizada, perdendo algo. Além da ansiedade que estava sendo gerada, percebi meu celular como um buraco negro na palma da minha mão, capaz de me levar pra outro lugar a qualquer momento e de não prestar atenção nas coisas fisicamente ao meu redor. Era como aqueles momentos que eu vivia diariamente na época de fumante, quando eu precisava ir pra bem longe de todo mundo pra não atrapalhar ninguém com a fumaça. 
Comportamentos de vícios por internet estão sendo estudados e discutidos atualmente, mas não posso ficar esperando as pesquisas me dizerem o quão mal isso possa ser pra tomar uma decisão. Percebo que o celular tem ocupado a minha mente de uma forma que não a deixa descansar e consequentemente acaba com aqueles momentos de ociosidade, nos quais a gente se permite simplesmente pensar na vida, ser criativo, falar com Deus. Estou me sentindo uma cobaia e sofrendo consequências desagradáveis no meu dia a dia e ensinando comportamentos inadequados pros meus filhos. Preciso fazer alguma coisa, preciso de sabedoria. E é em Deus que mais uma vez estou encontrando socorro, com sua palavra que diz pra que eu ilumine o meu corpo com coisas boas e pare de ficar com os olhos vagando pela rede, “mantendo minha cabeça junto do meu corpo”:

 “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas, se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”; (Mateus 6:22-23).

“O homem de discernimento mantém a sabedoria em vista, mas os olhos do tolo vagueiam até os confins da terra”; (Provérbios 17:24).

Faz 4 meses que iniciamos mudanças na nossa rotina aqui em casa e quero compartilhar com vocês que nossa família ainda não descobriu a fórmula e que nem almejamos tal coisa, mas a primeira conclusão a que chegamos é que existem muitas coisas que ficam de lado quando a tv e a internet tomam conta da casa e quando aquela cena em que as crianças estão entretidas na tv e os pais dando continuidade aos seus afazeres ou até mesmo sentados do lado dos filhos mas viajando na rede, como se nem estivessem presentes, se torna comum e confortável. Estamos tentando encontrar o caminho, pedindo pra Deus criatividade, simplicidade e direção. A primeira coisa que estamos experimentando é o gosto pela leitura. Num próximo momento pretendo detalhar esse período de mudanças aqui no blog. Quero ainda deixar nesse post algumas palestras que assistimos e que despertaram várias coisas importantes pra nossa família:
Palestra muito divertida do Professor Pierluigi Piazzi sobre o comportamento dos pais e estudantes e da importância de desenvolvermos o hábito da leitura. Ele nos incentiva dizendo ” não desista, existe um livro pra você”:

Palestra da mãe e homeschooler Camila Abadie, com muitas dicas sobre literatura infantil:

Esse vídeo não tem legendas em português infelizmente. É um pai que se percebeu como um zumbi digital e conta as mudanças que fez para sair dessa situação e consequentemente melhorar a interação com seu filho:

E claro, eu não poderia deixar de citar as palavras pelas quais Deus tem nos direcionado:

“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.”; (2 Coríntios 4:16-18).

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por isso não temeremos, ainda que a terra trema e os montes afundem no coração do mar, ainda que estrondem as suas águas turbulentas e os montes sejam sacudidos pela sua fúria. Há um rio cujos canais alegram a cidade de Deus, o Santo Lugar onde habita o Altíssimo. Deus nela está! Não será abalada! Deus vem em seu auxílio desde o romper da manhã.”; (Salmo 46:1-5).

Até Mais!
Abraços,
Carol Piscke

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