O Sono dos Filhos e a Liberdade do Casal

Na época que meu primeiro filho tinha uns três meses eu entendi porque minhas colegas vovós da hidroginástica insistiam tanto em me dizer pra aproveitar, enquanto ainda estava grávida, para simplesmente dormir. Sem brincadeira, eu chegava a imaginar que estava  me deitando na cama e puxando uma cobertinha pra descansar, mas isso ficava só na vontade, porque eu não conseguia dormir mais do que 2 horas seguidas. Quando o final da tarde ia chegando, eu olhava para o relógio e contava os minutos pro meu marido chegar em casa e na primeira oportunidade que eu tinha, entregava o bebê no colo dele aliviada pois finalmente teria um momento de descanso. Nem eu aguentava mais o meu discurso e salvo alguns dias milagrosos, minhas frases comuns eram: “estou exausta”; “ele ficou o dia no peito”; “não tive tempo de comer nada”; “ele dorme um pouquinho e já acorda”. 

Não bastasse durante o dia, nosso filho começou a dar trabalho pra dormir a noite também. Era muito choro e muito empenho até ele ir pro berço e finalmente dormir. “Não sei mais o que fazer” desabafei numa noite pro meu marido e ele concordou comigo. Apesar de também não saber o que fazer, meu marido estava determinado a arranjar uma solução, porque estava ficando muito desgastante. Além do cansaço, eu não tinha mais tempo pra mim e nem pro meu marido, na verdade o bebê estava governando nossos horários e isso era muito angustiante. A partir daí esse virou o tema predileto das nossas conversas e pesquisas na internet. 
Meu sogro disse que era pra colocar um pouco de álcool ou cachaça na água do banho (aham, tá bom sogrão, valeu pela dica), alguns diziam que poderia ser cólica (isso foi descartado porque ele parava de chorar assim que vinha pro colo), um amigo do meu marido que tinha um filho da mesma idade disse que resolveu esse problema quando começou a dar banho bem quentinho a noite (tive mais fé ainda quando encontrei um shampoo especial pra hora de dormir). Na verdade, o que acontecia lá em casa era que depois do banho, meu filho mamava, arrotava, mas na hora de ir pro berço abria o maior berreiro e só parava quando alguém o pegasse no colo ou melhor ainda quando voltasse para o peito. Até tentamos dar chupeta, mas ele ficava muito nervoso e cuspia a chupeta. 
Um dia, meu marido olhou pra aquela carinha de aconchego do nosso filho, depois de ter sido acudido pela mamãe e disse: “amor, esse moleque tá de sacanagem com a gente, não importa o que o pessoal do prédio vai pensar, mas a gente vai ter que deixar ele chorando!”. “Não sei se consigo, e se ele se afogar com a saliva? eu disse, mas meu marido estava determinado: “fica tranquila, vamos fazer como ensinam, acalmando a criança e supervisionando, não vai se afogar coisa nenhuma, a gente tá aqui do outro lado da porta”.

No primeiro dia, demos um banho bem gostoso, bastante leite, colocamos ele pra arrotar, verificamos a fralda, demos boa noite, falamos que era hora de dormir, apagamos a luz e fechamos a porta. Não deu 3 segundos e começou o berreiro. De 5 em 5 minutos meu marido ia até o berço (confesso que pra mim era uma tortura), acalmava o bebê sem tirar do berço e saía do quarto. Até ele dormir esse vai e vem durou umas duas horas. Ao longo dos dias esse tempo foi diminuindo, até que em menos de uma semana, ele ficava tranquilo no berço e dormia. 

Claro que tinha dias que não funcionava, a fralda estava suja, algum outro desconforto ou porque ia chover. Isso mesmo, porque ia chover. Quando ouvi essa expressão pela primeira vez cheguei a rir por dentro, mas hoje levo a sério a teoria da minha sogra, que diz que quando nossos filhos estão tendo alguma reação fora do comum e que a gente não sabe da onde vem é porque vai chover. Ela diz que as crianças ficam agitadas antes da chuva chegar. Até hoje em alguns momentos eu não encontro outra explicação a não ser “é verdade, vai chover”.
Comecei a estipular horários pras sonecas durante o dia, o que me deu muita liberdade pra descansar e ter um tempo pra mim. Durante o dia nunca fui tão rígida quanto a forma dele dormir, o importante era que ele descansasse na hora certa. Às vezes ele dormia no peito, mas se chegasse o horário da soneca, ele estivesse acordado e eu tivesse a certeza de que era hora de descansar, eu colocava ele no berço, ele chorava um pouco, mas dormia. Nossas noites se tornaram muito mais tranquilas, eu e meu marido começamos a ter tempo pra nós dois. Minha mãe também me dizia que quando a criança dorme bem durante o dia, reflete bem no sono da noite e eu concordei com ela porque percebi grandes mudanças mesmo. 
Por volta dos 8 meses, numa consulta, nosso pediatra falou que a mamada da madrugada não era mais necessária, eu entendi e achei ótimo, mas meu filho não, é claro. De novo utilizamos a técnica de deixá-lo chorando e na terceira noite ele não acordava mais. Ufa, que momento maravilhoso, colocávamos ele pra dormir umas 20:00 e ele acordava as 6:00 super feliz e os pais mais ainda. Isso até o caçula nascer, quando tudo virou de cabeça pra baixo, mas é assunto pra outra hora.
Hoje os meninos estão com 3 e 4 anos e toda noite por volta de 8:30, depois de escovarem os dentes e fazerem xixi, os levamos até o quarto. Cada um deita na sua cama, colocamos o cobertor, damos um beijo de boa noite, fazemos uma oração ou as vezes até deixamos com eles a missão de orarem sozinhos e saímos do quarto. Eles ficam lá sozinhos. Tem dias que eles resolvem fazer bagunça na hora de dormir, um pula na cama do outro, fazem cabana com as cobertas, ou tá pra cair aquele temporal :), mas normalmente eles ficam conversando um pouco e dormem até as 6:00 do outro dia. Tem vezes que eles de fato não estão com sono, mas vão pro quarto no mesmo horário. Já demos bastante atenção pra eles durante o dia e eu e meu marido precisamos do nosso tempo de relax
É muito bom ter hoje essa liberdade. Há quatro anos atrás nunca imaginei  que estivesse sendo plantando algo tão bom, que beneficiaria tanto o nosso relacionamento e a nossa intimidade como casal. Agradeço meu marido que foi fundamental nesse processo, como sempre ele me encoraja e me mostra que é possível mudar e melhorar uma situação que não está fazendo bem pra nossa família. Também ao pediatra dos meninos, que me fez enxergar o choro do bebê como algo benéfico, ele dizia que o choro gera frustração, o que é muito importante os bebês sentirem desde cedo. Aos livros que insistem em dizer que os bebês precisam aprender a dormir e que os pais são responsáveis em ensinar (a minha experiência me diz que eles têm razão). Aos vários blogs de mães que eu tanto lí e que um dia compartilharam suas experiências, assim como estou fazendo. 

Muitas pessoas apoiam e muitas criticam essa técnica de deixar o bebê chorando. Muitas dizem que não funcionou. Cada bebê, cada mãe, pai e família são diferentes e tenho certeza de que essa não é solução para o problema de todos. A verdade é que aqui em casa funcionou muito bem e toda a família passou a dormir, a acordar e a viver mais feliz desde então.

Abraços,
Carol

Lembrete que Paulo deixou para os casais:
Como dizem as Escrituras Sagradas : “É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua esposa, e os dois se tornam uma só pessoa.”
Efésios 5:31

4 comentários em “O Sono dos Filhos e a Liberdade do Casal

  1. Legal! Aqui com o segundo filho tem sido bem mais difícil tudo, e também utilizamos essa técnica de deixar chorar, mas o detalhe é que pai e mãe conhecem o choro do bebê, sabemos qndo é choro de manha ou de dor ou irritação devido a algo que não está bem, né? Eu fico nervosa e tenho grandes dificuldades de deixar chorando, mas realmente as vezes é necessário, pois esses pedacinhos de gente, tem o poder de dominar o pedaço, é só deixar, hehe…
    Amo esses assuntos de filho, família! Parabéns pelo blog!!! Bjs

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  2. Oi Emely, aqui em casa percebi que era necessário também. Até os 3 meses amamentei em livre demanda como indicam os médicos, mas chegou uma hora que eu estava muito cansada e meu filho estava acostumado a dormir no peito, o que é normal. Mas sempre tem aquele momento da revolução e de mudanças. Não consegui fazer com que ele aprendesse a dormir no berço sozinho sem ter que deixar chorando um pouco. Eu tmb sofria durante o choro, às vezes pegava no colo pq não queria ouvir o choro. Foi um processo…Obrigada por acompanhar o blog, bjusss

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